(011) 4990-0366 / 4990-0168

info@apmsantoandre.org.br

Avanço do HIV e da Sífilis preocupa

Ainda que a Aids não esteja nos níveis alarmantes da década de 1990, número de casos é grande; crescimento da sífilis também indica problemas com a prevenção

Quinta, 07 de março de 2019


Recentemente, a organização Mundial da Saúde divulgou as 10 prioridades para 2019, que incluem o combate a infecções transmissíveis como o HIV. Segundo o órgão, os progressos contra a Aids têm sido enormes, com o fornecimento de remédios antirretrovirais para 22 milhões de pessoas no mundo e o acesso ampliado a métodos de prevenção, como a profilaxia pré-exposição (PrEP).

Apesar disso, a infecção continua a se alastrar, com quase 1 milhão de pessoas morrendo por HIV/Aids a cada ano. Desde o início da epidemia, mais de 70 milhões de pessoas adquiriram a infecção. Desse grupo, cerca de 35 milhões morreram. E atualmente, em torno de 37 milhões de indivíduos em todo o mundo vivem com o HIV.

No estado de São Paulo, a diretora adjunta do Centro de Referência e Treinamento DST/Aids-SP, Maria Clara Gianna, informa que a taxa de mortalidade caiu 74,1% nos últimos 20 anos, havendo também redução no número de casos - que em 1998 (pico da epidemia no estado) alcançou 12.574, enquanto que em 2016 foi de 6.700.

Entretanto, em determinadas regiões, a taxa de incidência de Aids é maior que a média do estado, de 14,9 a cada 100 mil habitantes: Caraguatatuba (25,6), Capital (20,4), Barretos (20,2), São José do Rio Preto (17,6), Santos (17,5) e Presidente Prudente (15). Maria Clara atribui esse fator à estrutura assistencial, uma vez que as estratégias de prevenção acontecem de formas diferentes.

Além disso, de acordo com ela, jovens entre 20 e 29 anos também requerem atenção priorizada, visto que o número de casos nessa faixa etária tem aumentado, bem como em alguns grupos sociais: “O que mais preocupa são os jovens, e precisamos também analisar o comportamento da infecção pelo HIV pelas diferentes classes sociais, raça e cor”.

Apesar de Sorocaba estar abaixo da média estadual, com 10 casos de HIV a cada 100 mil habitantes, o diretor da 4ª Distrital da Associação Paulista de Medicina, Eduardo Luís Cruells Vieira – que integra o Conselho Municipal de Saúde da cidade – afirma que o crescimento da infecção tem alertado as autoridades locais.

“Pelo fato de não ser mais vista pela população como uma doença que mata, e com a qual é possível conviver, muitas pessoas não entendem sua gravidade, então é importante que a classe médica faça esse alerta junto a seus pacientes, colegas etc., e que se façam campanhas realmente efetivas para a prevenção”, complementa.

MAIOR OCORRÊNCIA DE SÍFILIS

O diretor da 4a Distrital da APM também ressalta que os casos de sífilis adquirida têm aumentado significativamente na região, e em todo o estado - o salto foi de 2.693 em 2007, com taxa de detecção de 6,7 por 100 mil habitantes, para 31.894 em 2016 e taxa de 73,6. Considerando as regiões de SP, Ribeirão Preto (124,8), Capital (121,8), Botucatu e Santos (98), São José dos Campos (97,7), São José do Rio Preto (91,7) e Itapeva (77,3) tiveram taxa de detecção por 100 mil habitantes maior que a média estadual em 2016.

O combate à incidência em gestantes e consequente transmissão vertical também estão entre as estratégias do Ministério da Saúde. Segundo Vieira, algumas unidades de saúde tiveram problemas com o abastecimento de penicilina, principal tratamento da sífilis – situação já solucionada conforme a representante da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo.

Nas gestantes, Maria Clara lembra que deve ser feito teste de sífilis e de HIV no primeiro e no último trimestre da gravidez, e no momento do parto – bem como tratamentos para os casos positivos. “Ainda não eliminamos a sífilis congênita no nosso País, no nosso estado e nos municípios de São Paulo. E os casos não tratados podem levar a surdez, deficiência e atraso de desenvolvimento do feto”, conclui.

Publicado na Revista da APM - edição 707 jan/fev 2019

 

« voltar