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O que se sabe sobre transmissão vertical da Covid-19 até o momento

Especialistas pesquisam respostas mais assertivas sobre Covid-19

Terça, 23 de junho de 2020


Meses após os primeiros casos do novo coronavírus despontarem, médicos, autoridades de Saúde e pesquisadores ainda se debruçam sobre o vírus em busca de respostas mais assertivas sobre a sua transmissão, contaminação e manifestações. Em termos de transmissão vertical – quando a mãe passa uma doença ao feto no útero ou no momento do parto –, sabe-se menos ainda. Um dos motivos é o pequeno número de casos de gestantes infectadas e a consequente quantidade insuficiente de pesquisas.

Para o ginecologista Everaldo Porto Cunha, diretor de Comunicações da Associação Paulista de Medicina e conselheiro do Cremesp, este é o momento de acompanhar as publicações científicas e as recomendações das sociedades de especialidades. “Em um cenário de muitas informações desencontradas circulando, o mais recomendável a médicos e toda a sociedade é buscar dados junto das autoridades mais capacitadas para isso, como as associações e sociedades médicas.”

Neste sentido, o Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) aponta que, até o momento, não há comprovação irrefutável de transmissão vertical durante a gestação ou através do aleitamento materno. O documento foi publicado em 22 de maio.

A entidade reforça que, baseado no que foi comprovado acerca do vírus, foram estabelecidas rotinas pelo Ministério da Saúde desde a sala de parto até a alta e o retorno à vida familiar – com anuência da SBP, da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e outras instituições – para mães que sejam assintomáticas, sintomáticas e com confirmação diagnóstica de Covid-19.

O documento não se furta a admitir que os conhecimentos atuais podem sofrer alterações conforme novos dados são divulgados. A SBP, inclusive, diz que apesar de não haver comprovação de transmissão vertical, a contaminação pode ocorrer durante os procedimentos do nascimento e todos os cuidados em relação à Covid-19 devem ser tomados no sentido de proteção da parturiente, do concepto e da equipe de Saúde presente.

De maneira geral, a entidade considera que o alojamento conjunto – caso a mãe esteja clinicamente estável e o recém-nascido assintomático – pode ser mantido. Em caso de mãe com suspeita ou confirmação de Covid-19, sugere-se respeitar a distância de dois metros entre o leito da mãe e o recém-nascido. Deverão ser respeitadas as recomendações de uso de máscaras e lavagem das mãos durante o aleitamento materno.

A Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp) publicou, em 13 de abril, o artigo “Covid-19 em obstetrícia. O que precisamos saber?”. O material é assinado por Geraldo Duarte e Silvana Maria Quintana, respectivamente Professor Titular e Professora Associada do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

Os especialistas mostram, entre outros temas, aspectos obstétricos e perinatais da infecção causada pelo SARS-CoV-2 (novo coronavírus). Apresentando dados de três casuísticas chinesas (duas com pacientes de Wuhan e outra com pacientes de fora do epicentro), os autores indicam que ainda não há evidências de transmissão vertical do vírus. É importante ressaltar que, juntando os três estudos, não foram acompanhadas mais de 30 gestantes.

A Associação Paulista de Medicina, em uma das edições de seu Webinar, realizada em 27 de maio, abordou os cuidados para gestantes e bebês durante a pandemia. Na ocasião, os especialistas convidados – pediatras, ginecologistas e obstetras – falaram, entre outros temas, sobre transmissão vertical.

Por: APM (texto e imagem)

 

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