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Atualização científica: Dr. Munir Akar Ayub

Segunda, 22 de fevereiro de 2021


Os vírus do grupo coronavírus são alguns dos responsáveis do resfriado comum. Nos anos 2002/03, uma variante (SARS-CoV 1) apareceu na China causando uma doença respiratória grave (SARS), com alta mortalidade, que assustou o mundo. Felizmente, por razões não totalmente elucidadas, essa epidemia arrefeceu assim como outra variante em 2012 (MERS), na Arábia Saudita, que teve o camelo como reservatório viral. Em dezembro de 2019, uma nova variante, agora denominada SARS-CoV2, apareceu na cidade de Wuhan, na China, e em poucos meses disseminou por todo o planeta, causando uma pandemia de alta transmissibilidade e mortalidade, principalmente para as pessoas idosas e com comorbidades. Hoje, contabilizamos no mundo mais de 90 milhões de casos e quase 2 milhões de óbitos, com o Brasil só perdendo para os EUA em número de mortos. O coronavírus é esférico e em sua superfície encontram-se espículas proteicas (proteína S) que fazem lembrar o aspecto de uma coroa (corona), sendo responsáveis pela ligação do vírus a receptores ACE2 (enzima conversora de angiotensina 2) existentes principalmente na mucosa respiratória. Todas as vacinas em estudo têm como alvo a produção de anticorpos contra a proteína S.

Uso de máscara, lavagem de mãos e distanciamento social são medidas eficazes para diminuir o contágio. Até o momento não existe tratamento preventivo ou curativo com eficácia comprovada contra essa doença, por isso o desenvolvimento de uma vacina passa a ser imperativo e a esperança para a volta à normalidade.

Mais de 200 vacinas de diferentes plataformas estão em estudo clínico. As mais adiantadas são as seguintes:

Vírus morto: De técnica simples e barata, já conhecida na produção de vacinas como as contra a raiva, hepatite A etc. Como exemplo, a Coronavac (“vacina chinesa” do laboratório Sinovac), produzida em parceria com o Instituto Butantan, aprovada para uso emergencial e incorporada ao Programa Nacional de Imunização (PNI). De acordo com os trabalhos de fase III, feitos em nosso país, apresenta eficácia de 50%. Mas o mais importante é que não ocorreu nenhum caso grave no grupo de pessoas vacinadas. Similar a essa, existe uma vacina produzida por outro laboratório Chinês (Sinopharm) e mais outra produzida pelo laboratório Indiano Bharat Biotech. Ambas com eficácia próxima a 70% nos estudos de fase III.

Vetor Viral: Técnica moderna que utiliza adenovírus modificado não replicante com a inclusão de material genético do coronavírus responsável pela produção da proteína S. As principais são: a Oxford-Astra-Zeneca, produzida em parceria com a Fiocruz- Manguinhos, que utiliza adenovírus de chipanzé e que também foi aprovada para o PNI, e as que utilizam adenovírus humano como a Russa do Instituto Gamaleyia (Sputnik V), a da Janssem e uma chinesa do Laboratório CanSino. Todas elas com eficácias semelhantes e perto de 70% em estudos de fase III.

RNA mensageiro: Técnica ultramoderna que pode revolucionar a medicina na produção de vacinas e tratamentos oncológicos. É composta de RNAm viral em nanopartículas lipídicas que é capaz de induzir a formação da proteína S. Essas vacinas apresentam eficácia superior a 90%, de custo mais alto e de logística difícil para o nosso país por necessitarem de temperaturas negativas para seu armazenamento. São exemplos a vacina da Pfizer-BioNtech e da Moderna já liberadas emergencialmente e utilizadas pelos países mais desenvolvidos.

Existem outras plataformas sendo estudadas como as de partículas semelhantes ao vírus (VLP), com estudos em andamento na Universidade de São Paulo, e as proteicas compostas de proteína S sintetizada em laboratório. Ambas em fase iniciais de pesquisa. A vacinação é muito benvinda, porém devemos lembrar da necessidade de duas doses e da dificuldade mundial no acesso ao imunizante e seus insumos.

Além disso, é preciso que haja uma cobertura vacinal de 70% ou mais da população para conseguirmos diminuir a circulação do coronavírus. Até lá, necessitamos permanecer alertas, manter todos os cuidados preventivos e lembrar que o direito coletivo suplanta o individual quando pensamos em vacinação.

 

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